Conecte-se conosco

Entretenimento

Comunidade gamer usa “Lei Felca” para derrubar vídeos de youtubers que apoiaram Lula

Publicado

em

Comunidade gamer usa "Lei Felca" para derrubar vídeos de youtubers que apoiaram Lula


Brasil – Desde o início de 2026, a comunidade gamer brasileira vive dias de incerteza, revolta e uma onda de denúncias em massa nas redes sociais. O estopim é a aplicação prática da Lei nº 15.211/2025, apelidada de “ECA Digital” ou “Lei Felca”, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que deveria ser uma ferramenta de proteção jurídica para menores na internet transformou-se, na visão de criadores e consumidores, em uma ferramenta de censura e um pesadelo burocrático.
Em forma de protesto, usuários do X (antigo Twitter) estão se mobilizando para denunciar diversos vídeos de grandes youtubers do cenário gamer, como Alanzoka, Cellbit, entre outros. A base para os ataques é a recém-enforçada Lei nº 15.211/2025, apelidada de ECA Digital ou “Lei Felca”.
A motivação do protesto, segundo os usuários, tem viés político: influenciadores como Cellbit e Alanzoka declararam apoio público em 2022 ao presidente Lula, que posteriormente sancionou a referida lei de proteção a menores na internet.
Como funciona o protesto

Os prints mostram usuários (como a conta Byanu) utilizando o texto da própria legislação, que entrou em vigor em 17 de março de 2026, para denunciar vídeos no YouTube. A regra exige que conteúdos com classificação indicativa +18 tenham restrição de idade ativada diretamente na plataforma.
Como muitos criadores não ativaram essa trava para não perder engajamento e monetização, os usuários estão realizando denúncias em massa por “descumprimento da legislação vigente”. O YouTube, por sua vez, tem acatado os pedidos, removendo ou restringindo o alcance dos vídeos.
Os principais alvos da comunidade

Alanzoka e Cellbit: Citados diretamente como alvos principais devido ao apoio político em 2022.
Felca (A Ironia): O influenciador que deu o “apelido” à lei também se tornou alvo. Usuários iniciaram a campanha “LEI FELCA NO FELCA”, denunciando suas gameplays do jogo de terror Outlast (classificação +18) com a justificativa de “proteger as crianças”.
Outros Youtubers: As imagens mostram que as cobranças e denúncias se estenderam a nomes como DavyJonesRJ, MaxMRM_Gameplay e BRKsEDU (este último chegou a bloquear o usuário no X após a repercussão). O foco tem sido a série de vídeos do recém-lançado Resident Evil Requiem, cuja classificação no Brasil foi confirmada para 18 anos.
O Desafio para o Futuro

A comunidade também lançou um ultimato aos criadores de conteúdo que apoiam a lei: eles estão sendo desafiados a classificar obrigatoriamente todas as suas lives e vídeos de jogos adultos apenas para maiores de 18 anos, incluindo o aguardado GTA 6.
Para além das “guerras” de internet, a crítica que unifica a comunidade gamer é a de que a lei, bem-intencionada em tese para proteger menores da “adultização”, foi completamente desvirtuada na prática. A percepção geral é de que ela se tornou um instrumento para impor censura, retirando direitos de criadores de conteúdo digital e impondo barreiras inviáveis para o mercado.
O Dilema dos Criadores: Ativar a restrição de idade “+18” no YouTube ou na Twitch significa a morte de um vídeo em termos de engajamento e a perda quase total da monetização. Para quem vive desse trabalho, a lei praticamente inviabiliza cobrir jogos adultos (que são a maioria no mercado). Sem a trava, o canal corre o risco de ser banido.
A Burocracia para Consumidores: Do lado dos consumidores, a vida também se tornou complexa. Desenvolvedoras como a Riot Games já bloquearam o acesso de menores de 18 anos ao League of Legends e Valorant no Brasil até adaptar seus sistemas. Para jogar ou consumir conteúdo, o usuário agora é obrigado a passar por processos burocráticos imensos, incluindo o envio de documentos e biometria facial para verificação de idade real.
O Futuro do Conteúdo no Brasil

A comunidade gamer agora lança um desafio aos criadores de conteúdo que apoiam a lei: eles estão sendo cobrados a classificar obrigatoriamente todas as suas gameplays de jogos adultos apenas para maiores de 18 anos, incluindo o aguardado lançamento de GTA 6.
A questão que permanece no ar é como conciliar a necessária proteção a menores com a sobrevivência de um mercado bilionário e os direitos dos criadores de conteúdo, sem que o “ECA Digital” se solidifique como uma ferramenta de controle e restrição da liberdade na internet brasileira.