Política
Maria do Carmo prega defesa das mulheres, mas mantém apoio a Rosses, acusado de agressão e injúria contra ex
Notícias de política – A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), tem sido alvo de questionamentos nos bastidores da política amazonense. Em suas redes sociais ela adota um discurso firme de defesa dos direitos das mulheres, mas mantém uma aliança estratégica com o vereador Coronel Rosses (PL) que já foi acusado de violência doméstica.
Em março deste ano, ela defendeu a criação de delegacias especializadas em feminicídio em todas as regiões do Amazonas e afirmou que a violência contra a mulher deveria ser enfrentada com urgência. No evento “A importância da mulher nos espaços de poder”, realizado em junho e promovido pelo Partido Liberal, Maria do Carmo afirmou que era necessário “endurecer as políticas públicas contra os agressores e principalmente o agressor de mulheres”.
Maria reforçou o discurso no último domingo (9), durante o primeiro debate de candidatos do governo o Amazonas nas eleições 2026, promovido pela Band. “Não existe desculpa para que se coloque em liberdade um agressor. Seja ele de uma simples violência física até o femínicidio“, disse.
O discurso, porém, passou a ser confrontado com uma questão política: a manutenção da proximidade com o vereador Coronel Rosses (PL), que aparece em procedimentos judiciais envolvendo denúncias feitas por sua ex-companheira. O caso de violência doméstica contra Rosses também foi exposto na Câmara Municipal de Manaus (CMM) antes do recesso parlamentar pelo vereador Jander Lobato.
De acordo com fontes ouvidas pelo Portal AM POST, Maria estaria usando sua estrutura como candidata ao governo do Amazonas para beneficiar o vereador que também é pré-candidato a deputado federal. Nas redes sociais existem vários registros dos dois em agendas no interior do Amazonas onde ambos ainda são desconhecidos da grande massa.
O vereador inclusive chegou a ser cogitado antes da convenção partidária do PL como possível candidato a vice-governador na chapa de Maria do Carmo.
Na última quarta-feira (12), Maria do Carmo (PL) cumpriu agenda de campanha eleitoral na Associação Comercial do Amazonas (ACA) para apresentar uma prévia de seu plano de governo. Ao lado dela estava o vereador Coronel Rosses (PL).
Durante a agenda na ACA, Maria do Carmo apresentou propostas de seu plano de governo e participou de discussões com representantes do setor produtivo sobre os desafios econômicos e as perspectivas para o Amazonas.
Rosses, que também disputa uma vaga de deputado federal, acompanhou a atividade e permaneceu ao lado da pré-candidata durante o encontro.

O primeiro pedido de medida protetiva
Segundo documentos judiciais que a reportagem teve acesso, entre 2017 e 2019, a ex-companheira de Rosses aparece como vítima em diferentes procedimentos de violência doméstica, incluindo registros por injúria e vias de fato.
Em junho de 2017, a mulher procurou a Justiça e pediu medidas protetivas de urgência contra Rosses. Em um dos processos ela aparece como vítima e Rosses como autor do fato. O assunto registrado no processo era injúria.
Na decisão de 13 de junho de 2017, a juíza Luciana da Eira Nasser afirmou que, diante dos documentos e relatos apresentados, as condutas atribuídas ao agressor configuravam violência doméstica e familiar contra a mulher.
A Justiça concedeu medidas protetivas que proibiam Rosses de se aproximar da ex e de seus familiares a menos de 300 metros, além de impedir contato por qualquer meio de comunicação.
A decisão também proibiu a presença de Rosses no entorno da residência e do trabalho da mulher dentro da distância estabelecida e determinou atendimento psicossocial ao agressor e à família.

O episódio do tapa no rosto
Pouco depois, em 31 de agosto de 2017, houve um novo registro policial envolvendo os dois.
O boletim de ocorrência classificou o episódio como vias de fato e injúria no contexto de violência doméstica.
Segundo o relato apresentado pela mulher à Polícia Civil, ela teria sido agredida fisicamente com um tapa no rosto e chamada de ‘vagabunda’ durante uma discussão relacionada à filha do casal.
O documento registra que já existia um BO anterior, de junho daquele ano, por injúria.

A mulher afirmou ainda à polícia que já havia sofrido agressões verbais e ameaças em outras situações e que anteriormente havia pedido medidas protetivas.
Rosses negou ter dado um tapa na ex e afirmou que, durante a discussão pela filha, ela teria batido com uma chave na janela do carro e o atingido com o objeto.
O episódio resultou em processo mas o Ministério Público pediu o arquivamento por entender que Rosses teria agido em legítima defesa.
Briga por aumento de pensão
Em um Termo de Declaração prestado na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), em Manaus, a ex-companheira relata à Polícia Civil conflitos com Rosses, principalmente relacionados à pensão alimentícia, aos cuidados com a filha e a mensagens que ela teria recebido dele.
Segundo o documento, o conflito teria começado, entre outros motivos, porque ela teria pedido um aumento da pensão alimentícia.
O termo registra que ela estava trabalhando e, durante o episódio narrado, recebeu mensagens do homem.
Em determinado momento, segundo a declaração, ele teria feito comentários sobre o dinheiro da pensão. “Mas fique mesmo com ela, não deixa ela com a babá para ir para a sacanagem”, disse Rosses. “Eu faço o que eu quiser da minha vida, assim como você faz”, respondeu a mulher.
Na sequência, o documento registra outras falas atribuídas ao militar.
Ele teria dito:
“Foda-se você, você que quer eu se foda.”
Depois, segundo a declaração, teria feito referência ao fato de ela estar preocupada com a pensão:
“Se você estivesse tão preocupado não estaria pedindo para diminuir a pensão.”
O documento também registra a seguinte fala atribuída a ele:
“Tu é uma put*, tu gasta o dinheiro da menina com passagem, vai tirar onda com o meu dinheiro e a nenhum passando dificuldades.”
“Ela não está passando dificuldade alguma, tem tudo que precisa“, respondeu a mulher.
Segundo o documento depois de muitas farpas Rosses disparou: “Deve ser uma put* cara mesmo“.
Ela também teria dito que gostaria de paz e que teme pela sua integridade moral.
Em 2019, a Justiça voltou a manter medidas contra Rosses
A história chegou novamente ao Judiciário em 2019. Em outro processo, a mulher pediu novas medidas protetivas contra Rosses, tendo como assunto registrado injúria.
As medidas foram concedidas liminarmente. Rosses posteriormente pediu a revogação das restrições, mas a mulher se manifestou pela manutenção.
Em setembro de 2019, o juiz decidiu manter integralmente as medidas protetivas.
Na decisão, a Justiça afirmou que não havia elementos capazes de demonstrar de maneira inequívoca a inexistência dos atos de violência doméstica narrados no processo.

A magistrada também registrou que a mulher teria relatado, de maneira firme e coerente, temor em manter contato com Rosses e mencionado agressões psicológicas e xingamentos constantes durante o relacionamento, além de episódios de violência física.
A decisão também levou em consideração o relato de uma suposta ocorrência de vias de fato em maio daquele ano.
Outro lado
O Portal AM POST questionou o vereador Coronel Rosses, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre o fato de ele se apresentar politicamente como defensor do lema “Deus, Pátria e Família” e, ao mesmo tempo, ter em seu histórico processos e medidas protetivas relacionados a acusações de violência doméstica feitas por sua ex-companheira.
Em resposta, Rosses afirmou que o episódio mencionado foi julgado em 2020 e concluído com sua absolvição.
“Sobre os questionamentos encaminhados, o vereador Coronel Rosses esclarece que o episódio mencionado foi julgado em 2020 e concluído com sua absolvição. Rosses mantém os valores que defende em sua vida pública e entende que a defesa da família também passa pela responsabilidade de preservar a intimidade e a dignidade das pessoas“, disse.
Rosses também citou uma decisão recente da Justiça do Amazonas em ação movida por ele contra o portal CM7 Brasil, relacionada à publicação sobre os mesmos fatos.
“Por fim, cabe registrar que a Justiça do Amazonas se manifestou recentemente em ação movida pelo vereador contra o CM7 em razão de publicação sobre os mesmos fatos. Na decisão, a Justiça determinou a retirada definitiva do conteúdo e condenou o veículo por exposição sensacionalista e sem contextualização, incluindo a identificação indevida de uma menor de idade“, destacou.
Maria do Carmo, também foi procurada pela reportagem, por meio de sua assessoria de imprensa, para se manifestar sobre os questionamentos e o posicionamento envolvendo Coronel Rosses, mas não respondeu aos contatos até a publicação desta matéria. Segue aberto espaço para manifestação.
*AM Post