Amazonas
Sindicato da Construção Civil paralisa principais vias de Manaus e anuncia greve geral
Manaus – Na manhã desta sexta-feira (17), o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil promoveu uma grande mobilização que impactou drasticamente o trânsito em vias cruciais de Manaus. O ato, que teve início por volta das 8h na Avenida Cosme Ferreira, zona Leste, tem como objetivo principal anunciar a greve geral da categoria, motivada pelo impasse nas negociações do dissídio coletivo.
Trânsito em Colapso e Rotas Alternativas
A passeata gerou um efeito cascata no tráfego da capital amazonense, afetando diretamente importantes corredores viários. As avenidas Rodrigo Otávio, Ephigênio Salles, André Araújo e Governador José Lindoso (Avenida das Torres) registraram retenções severas.
O entroncamento da rotatória da Bola do Coroado foi um dos pontos mais críticos. Motoristas de veículos particulares, trabalhadores em ônibus do transporte coletivo e usuários de aplicativos enfrentaram atrasos significativos. Na tentativa de fugir do congestionamento, muitos condutores buscaram rotas alternativas pelo Conjunto Tiradentes e pelas vias internas do conjunto Morada do Sol (bairro Aleixo), o que acabou sobrecarregando também essas ruas secundárias. Agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e da Polícia Militar foram acionados para tentar reorganizar o fluxo.
A Marcha e as Reivindicações
Os operários se concentraram inicialmente em frente a um grande prédio em fase de acabamento, nas proximidades do viaduto Gilberto Mestrinho. De lá, a categoria seguiu em marcha, ocupando faixas da pista, com destino à sede da Justiça do Trabalho e do Ministério do Trabalho, localizados na Avenida André Araújo. O movimento busca chamar a atenção das autoridades e do setor patronal para a oficialização da paralisação geral, exigindo reajustes e melhorias pautadas no dissídio deste ano.
Tensões Durante o Ato
Durante o percurso, a lentidão gerou irritação em alguns condutores que tentavam passar pela via, resultando em trocas de farpas com os manifestantes. Em cima de um carro de som, uma das lideranças do movimento respondeu veementemente às provocações e xingamentos vindos de alguns motoristas.
“Esses caras que passam gritando, é o vagabundo, é os pilantra… é o cara que tem classe, mas quando tá no hospital, fica pedindo socorro; quando tá desempregado, fica pedindo socorro; quando tá doente, fica pedindo socorro. É o mais covarde que tem”, declarou o representante ao microfone, reforçando que chegou ao local apoiado pelo sindicato para fortalecer a luta dos trabalhadores.
A mobilização reflete a crescente insatisfação dos operários com as condições atuais de trabalho e remuneração. Com a iminência da greve geral, a expectativa é de que os principais canteiros de obras de Manaus tenham suas atividades total ou parcialmente suspensas até que um acordo satisfatório seja firmado entre a categoria e os empresários do setor.