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Avião da Voepass emitiu cinco alertas antes da queda em Vinhedo, aponta Cenipa

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Avião da Voepass emitiu cinco alertas antes da queda em Vinhedo, aponta Cenipa; veja vídeo


Brasil – O avião da Voepass que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, registrou ao menos cinco tipos de alertas antes de perder o controle. A informação consta no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira (23).
Segundo a investigação, os avisos estavam relacionados à formação de gelo, perda de desempenho, redução de velocidade e risco de estol. O órgão concluiu que a gravidade da situação não foi reconhecida de maneira adequada pela tripulação.
O voo 2283 fazia o trajeto entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo. A aeronave caiu em um condomínio residencial no dia 9 de agosto de 2024, provocando a morte dos 58 passageiros e quatro tripulantes.

Sistemas indicaram acúmulo de gelo

O detector eletrônico da aeronave apontou repetidamente condições favoráveis à formação de gelo nas superfícies do avião. Esse tipo de aviso exige o acionamento do sistema de degelo e a adoção de ajustes na velocidade.
Também foram registrados alertas de velocidade abaixo do recomendado e sinais de degradação do desempenho. Nos instantes finais, o sistema informou que a aeronave estava próxima de entrar em estol, situação em que perde sustentação.
De acordo com o Cenipa, a resposta dos pilotos não seguiu integralmente os procedimentos previstos para esse tipo de emergência.

Degelo não foi acionado

O relatório indica que os tripulantes não ligaram o sistema de degelo no momento necessário. Eles também não solicitaram uma descida imediata nem declararam situação de emergência, apesar da piora progressiva das condições de voo.

A investigação identificou ainda conversas pessoais entre os pilotos durante momentos considerados críticos, o que pode ter reduzido a atenção dedicada aos alertas emitidos pelos sistemas da aeronave.
Outro fator citado foi a chamada “normalização de desvios”. Como alguns avisos de desempenho apareciam com frequência na rotina operacional, eles passaram a ser tratados como ocorrências comuns, diminuindo a percepção de risco.

Aeronave não deveria ter decolado

O Cenipa também identificou uma irregularidade anterior à partida. O avião apresentava uma falha no limpador de para-brisa e, diante da previsão de chuva na rota e no destino, não deveria ter decolado nessas condições.
Problemas no sistema de degelo também teriam ocorrido em voos anteriores realizados pela mesma aeronave, no dia do acidente e na véspera. As falhas, porém, não foram registradas no diário técnico, impedindo a realização dos reparos necessários pela equipe de manutenção.

Voepass defende experiência dos pilotos

Em nota, a Voepass afirmou que colabora com as autoridades desde o acidente e que seus procedimentos de treinamento e segurança seguiam padrões internacionais.
A empresa declarou ainda que os pilotos eram experientes, somavam mais de 5 mil horas de voo e estavam com certificações, treinamentos e avaliações de saúde em situação regular.
O Cenipa esclarece que suas investigações têm caráter preventivo e não buscam apontar responsabilidade criminal. O relatório apresenta fatores contribuintes e recomendações destinadas a evitar acidentes semelhantes.