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Brasil já registra 81 tornados em 2026 e número pode superar recorde histórico

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Brasil já registra 81 tornados em 2026 e número pode superar recorde histórico


Brasil – O Brasil já registrou 81 tornados até julho deste ano, segundo dados da Prevots, Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas, que reúne meteorologistas voluntários de diversas regiões do país. A instituição estima que, até o fim de 2026, o número ainda possa superar o recorde de 92 tornados registrados em 2025.
De acordo com relatório da Prevots, entre 2018 e 2025 houve um crescimento gradual no número de tornados registrados no Brasil. No entanto, os pesquisadores ressaltam que não é possível afirmar que esse aumento esteja diretamente relacionado às mudanças climáticas.
Uma das explicações para o crescimento dos registros é o avanço da tecnologia e a maior capacidade da população de documentar os fenômenos por meio de celulares. Segundo os pesquisadores, atualmente é muito mais fácil registrar e comunicar a ocorrência de um tornado do que em décadas passadas.
Estudos também apontam o Brasil como o segundo país mais propenso à ocorrência de tornados no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A maior incidência ocorre na Região Sul, onde as condições atmosféricas favorecem a formação de um tipo de tempestade severa conhecido como supercélula. Mais raras do que outras tempestades, essas formações podem provocar granizo de grandes dimensões, ventos intensos e, em determinadas situações, gerar colunas de ar em rotação que assumem o formato de um funil entre a base da nuvem e o solo.
O meteorologista da Universidade Federal de Pelotas, Vitor Castilho, explica que o fenômeno está relacionado ao encontro de massas de ar com características diferentes.
“As supercélulas se formam em condições onde há diferença de temperatura entre duas massas de ar: uma massa de ar mais quente e úmida e outra de ar mais frio e seco, que geram essas violentas tempestades que adquirem rotação. Essa rotação dentro da supercélula, em alguns casos, acaba se estendendo até o solo, fazendo com que ocorra o tornado”, explica.
O Sul do Brasil é uma área de encontro entre massas de ar com diferentes temperaturas e níveis de umidade, condição que favorece a formação de tempestades com potencial para gerar tornados.
O fenômeno mais recente foi registrado na última terça-feira e provocou quatro feridos e diversos estragos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Previsão e monitoramento

Atualmente, ainda não é possível prever exatamente onde uma coluna de ar irá tocar o solo. No entanto, os meteorologistas conseguem antecipar a formação de grandes tempestades com potencial para produzir tornados.
Segundo Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria, um dos fatores observados é a variação dos ventos em diferentes altitudes.
“Para tempestades que são tipicamente capazes de causar tornados, a gente precisa que o vento esteja variando verticalmente, ou seja, ganhando intensidade e também mudando de direção conforme a gente vai subindo na atmosfera. Nesse caso, a gente consegue com alguns dias de antecedência antever, por exemplo, a formação dessas tempestades que vão adquirir rotação ao longo do seu eixo, já com o período de 24, 48 horas de antecedência, especialmente para alguma região”, explica.
Para acompanhar a evolução dessas tempestades, os meteorologistas utilizam radares meteorológicos, equipamentos que emitem ondas eletromagnéticas capazes de interagir com as partículas de água presentes nas nuvens.
Castilho destaca que os radares são fundamentais para a chamada previsão de curto prazo.
“Basicamente, é o monitoramento e o alerta da previsão do tempo. Então, o radar meteorológico consegue detectar as tempestades que já estão formadas e identificar dentro delas as assinaturas que podem indicar a presença da rotação dentro da tempestade e, até mesmo, em alguns casos, consegue detectar o tornado ocorrendo naquela região. Então, a partir dos dados do radar meteorológico, nós conseguimos antecipar com alguns minutos a ocorrência desses fenômenos”, afirma.
Apesar dos avanços tecnológicos, os dois pesquisadores alertam que os radares meteorológicos brasileiros estão defasados e precisam ser modernizados para tornar os alertas à população mais eficientes.
Além da modernização, Murilo Lopes destaca a necessidade de ampliar a quantidade de equipamentos e a área de cobertura dos radares.
“O importante nesses radares é que tenham uma cobertura que seja feita ali numa área de 250 km. Até é possível ter informações sobre tempestades a uma distância maior, mas se perde muita qualidade nessa informação. Por efeito da curvatura da Terra, esse feixe de ondas vai, na verdade, estar atingindo muito mais longe o topo da tempestade e não a parte que está próxima à superfície, que é onde os fenômenos de tempo severo estão acontecendo. Então, isso aumenta o número de equipamentos que é necessário, por exemplo, para cobrir alguns estados”, explica.

Cidades precisam estar preparadas

Outro desafio apontado pelos especialistas é a falta de preparação de algumas cidades para enfrentar eventos meteorológicos extremos, como tornados, vendavais e fortes quedas de granizo.
Castilho cita medidas adotadas em outros países que poderiam contribuir para reduzir os impactos desses fenômenos no Brasil.
“A principal maneira para evitar os efeitos de um tornado é se escondendo embaixo da terra. Então, a melhor forma seria que fossem construídos abrigos, principalmente em cidades grandes, instalação de sirenes de emergência e também a integração com os aplicativos de celular, como estamos vendo recentemente já no Brasil, e também um treinamento com as equipes, por exemplo, da Defesa Civil, com simulações de evacuação direcionadas em caso desses eventos”, afirma.
Segundo os pesquisadores, a mudança na dinâmica dos ventos associada ao super El Niño também pode contribuir para o aumento de tempestades severas na Região Sul durante o segundo semestre. Com isso, há possibilidade de ocorrência de fenômenos meteorológicos mais extremos, incluindo novos tornados.
A recomendação dos especialistas é que a população acompanhe as previsões meteorológicas e siga as orientações de segurança emitidas pela Defesa Civil durante a ocorrência de tempestades severas.